Programa de Formação Continuada de Professores: A Prática Docente em Foco
Grupos de Pesquisa e Estudos > Projeto GPE-FEMIC > Aplicações do Segmento Metodológico
PERCURSOS VISUAIS NO ACERVO DO MAC-USP

Os Percursos Visuais são o resultado de pesquisa feita, através da Divisão de Educação do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, cujo objetivo esteve voltado para o desenvolvimento de materiais visuais sobre a apreensão estético-visual da obra de arte situada no espaço do Museu, propagando metodologias que embasam o programa de atendimento às escolas de primeiro e segundo graus da rede de ensino público e particular, ao terceiro grau e à comunidade em geral. Os Percursos Visuais são propostas de materiais de apoio para os professores, em sua prática de ensino, bem como constituem documentação das obras do acervo MAC USP.

Os resultados da pesquisa foram construídos através de uma reflexão sobre as visitas orientadas ao acervo do MAC, oferecida aos visitantes durante quatro anos, de 1993 a 1996. Os parâmetros teóricos desta reflexão encontram-se em aspectos da Fenomenologia da Percepção, desenvolvida pelo pensador francês Maurice Merleau-Ponty sobre a apreensão estético-visual.

Esta pesquisa apresenta um contexto histórico dos artistas focalizados e uma descrição das obras, cuja correlação de seus fenômenos estético-visual foram consideradas como aquilo que é dado imediatamente à consciência do ser vivente. Não tivemos a preocupação de indagar, criticar e relacionar a legalidade ou universalidade deste conhecimento. Não tivemos em vista a explicação. Tentamos olhar os objetos nas suas diversas aparências para, num determinado momento, irmos além delas e apreendermos seus significados estético-visuais fenomenológicos.

Carmen Sylvia Guimarães Aranha
A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO GEOMÉTRICO: UM EXERCÍCIO ESTÉTICO

Segundo nosso entendimento, a construção do conhecimento geométrico com sentido e significado se dá em sínteses de transição. Segundo a nossa pesquisa em torno da Interrogação: O que acontece no encontro sujeito matemática? Inspirada nas ideias de Merleau-Ponty, a construção do conhecimento geométrico se apresenta como forma percebida, forma sentida e forma produzida. Isto quer dizer que a forma pode se transformar no movimento da construção do conhecimento sem deixar de ser a forma originária, objeto da percepção, tornando-se visual, sonora, objeto da exploração sensorial e objeto do pensamento, mantendo a unidade entre o percebido, o sentido e o produzido, por terem todas elas o mesmo pano de fundo, a mesma fonte de significação, o mundo-vida. Assim, entendemos que a forma produzida, tomada aqui como a forma geométrica do matemático, habita a forma percebida, a forma sentida como possibilidade de conhecimento de mundo.

Vamos agora considerar a sequência de quadros abaixo, destacando as características comuns que há em todos os quadros. Fazendo este exercício, repedidas vezes, podemos perceber que no quadro BANDEIRINHAS - 1968, habita a mesma configuração, embora já bastante abstrata das casas e seus telhados dos quadros anteriores. Assim, as casas com seus telhados das figuras 1, 2 e 3 imersas no mundo que as circunscrevem, podem ser pensadas como a forma percebida. Ao sentir a casa e seu telhado o autor vai lentamente, deixando transparecer somente seus valores próprios como: ritmos e simetrias, a forma sentida, representados nos quadros 4 e 5, até chegar naquilo que constitui o seu estrutural, a forma produzida, agora como bandeiras, sem deixar também de ser casas e seus telhados.

Podemos traduzir estas reflexões, acrescidas de outras, em prol da construção de sequências didáticas para o ensino de Geometria. Veja um exemplo em: www.gente.eti.br/lematec/CDS/XIIICIAEM/ [*]

Verilda Speridião Kluth

[*] KLUTH, V. S. ; RODRIGUES, A. P. A. . Aproximação entre aritmética e geometria: um resgate fenomenológico de aspectos humanos na construção do conhecimento matemático. In: XIII Conferência Internacional de Educação Matemática, 2011, Recife. Anais do XIII CIAEM. Item 17. Recife : Programa de Pós-graduação em Educação matemática e tecnológica Universidade de Pernambuco, 2011. v. 1. p. 1-11.
Voltar